NR-1: ignorar a saúde mental pode custar caro para o empregador O ano de 2026 marca uma mudança histórica na fiscalização trabalhista brasileira. Após um período de caráter exclusivamente educativo, entra em vigor a fase punitiva da atualização da Norma Regulamentadora nº 1...

29 de janeiro de 2026
Jornal Contábil

O ano de 2026 marca uma mudança histórica na fiscalização trabalhista brasileira. Após um período de caráter exclusivamente educativo, entra em vigor a fase punitiva da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que obriga as empresas a mapearem e prevenirem riscos psicossociais. 

A partir de agora, organizações que ignorarem fatores como assédio, sobrecarga de trabalho e estresse crônico estarão sujeitas a multas e sanções administrativas impostas pelo Ministério do Trabalho.

 

 

Dados alarmantes

Dados recentes divulgados pela Agência Brasil, revelam que o sofrimento emocional está retirando uma parcela significativa dos brasileiros de seus postos de trabalho.

Em 2025, o Brasil registrou um número alarmante: 4,12 milhões de trabalhadores precisaram se afastar temporariamente de suas funções por motivos de saúde. Dentro desse universo, os transtornos mentais e comportamentais ganharam um protagonismo preocupante.

Segundo estatísticas divulgadas pela Agência Brasil, a ansiedade e os episódios depressivos ocupam, respectivamente, a quarta e a sexta posição no ranking geral de doenças incapacitantes no país.

 

A escalada é nítida quando comparada ao ano anterior:

Esses números reforçam que o ambiente laboral e a pressão cotidiana têm ultrapassado o limite biológico dos profissionais, consolidando os transtornos mentais como uma das maiores causas de concessão de benefícios previdenciários.

 

Impactos financeiros 

Para o setor contábil e de recursos humanos, o desafio agora é documental. A ausência de um mapeamento de riscos psicossociais atualizado pode gerar autuações imediatas durante inspeções. Além das multas, a negligência com a norma pode facilitar o nexo causal em ações de danos morais e aumentar o Fator Acidentário de Prevenção (FAP), onerando a folha de pagamento.

Especialistas orientam que as empresas não apenas revisem seus manuais, mas implementem canais de denúncia eficazes e programas de treinamento para gestores. 

Em um cenário onde quase meio milhão de brasileiros se afastam anualmente por colapsos mentais, a conformidade com a NR-1 deixa de ser apenas uma proteção contra multas para se tornar uma estratégia de sobrevivência econômica.

 

Janeiro Branco

O mês de janeiro  também carrega uma carga simbólica única. É o período em que, culturalmente, as pessoas se sentem autorizadas a planejar, projetar mudanças e “recomeçar”. Foi justamente aproveitando esse clima de renovação que surgiu a campanha Janeiro Branco.
A ideia é que, para ter um ano saudável, não basta cuidar das finanças (como o envio do Coaf) ou das obrigações legais (como a NR-1); é preciso, antes de tudo, garantir que quem executa essas tarefas — o ser humano — esteja psicologicamente bem.

O Janeiro Branco surge para dizer que sofrer não faz parte do trabalho e que buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza, mas de inteligência emocional.
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